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OUÇA NA ÍNTEGRA NOVO ÁLBUM DO AÇÃO DIRETA | “WORLD FREAK SHOW”


No ano de 2011 o Monophono se adiantou e fez uma entrevista completa com informações do que viria a ser o ano de 2012 para o Ação Direta, além de curiosidades sobre a história da banda. A entrevista pode ser conferida na íntegra clicando aqui. Com 25 anos de carreira sem interrupções, a banda já tem um currículo invejável para uma banda independente.
PAÇO MUNICIAL GEPETOShows pelo Brasil, Argentina e Europa, mudanças na formação, vários álbuns lançados, participação em várias coletâneas e uma história de atitude, persistência e integridade a música pesada, tendo sempre trilhado os caminhos do underground.

Neste mês de dezembro o quarteto Ação Direta lança o tão esperado “World Freak Show“, seu oitavo álbum e seguramente o mais direto, maduro e mais ousado de sua discografia.
Ação Direta
O disco contará com 11 faixas e teve a produção de Marcello Pompeu e Heros Trench, no renomado estúdio Mr. Som (SP). Outro destaque são as participações especiais, com nomes como Alex Camargo (Krisiun), Vlads (Ulster), Rodrigo Lima (Dead Fish), João (Test), Wagner e Gigante (ET Macaco) e Pompeu (Korzus).
Ação Korzus Dead FishVisando uma maior distribuição do álbum em território nacional o Ação Direta se aliou a cinco selos para o lançamento de “World Freak Show“, que será lançado inicialmente em formato digipack, pelos selos Purgatory Records (SE), Death Time Records (MG), Xaninho Discos (PA), Spider Merch (SP) e Equivokke Records (SP).

Confira abaixo com exclusividade, na íntegra em stream, o tão esperado novo álbum do Ação Direta, comemorando 25 anos de estrada:

Leia o que já foi notícia sobre o Ação Direta no Monophono clicando aqui.

FACADA EM CAMPINAS: O JOIO E O TRIGO


O que fazer quando se chega a uma época na qual o interesse por música está intimamente ligado à “conectividade”, ao número de acessos que um tal site lhe possa proporcionar, ao recorrente discurso do “expandir públicos” que mascara concessões covardes que visam propósitos que não os artísticos – o que fazer? O underground, antes a trincheira da resistência dos que não se interessavam por política e sim por arte, agora busca peneirar quem está ali por conta destes facilitadores de oba-oba modernos e quem ali está exclusivamente pela música – pois um show que marque a volta do Facada, peso-pesado do grindcore brasileiro/mundial, à região Sudeste torna-se ainda mais atrativo se reúne bandas com um ideário não-parasitário, um modo de encarar a própria carreira sem muletas e sim baseadas no próprio talento, profunda compreensão de gêneros musicais e bom gosto criativo. Por tais características terem tornado-se tão raras, nossa presença por lá era obrigatória.

Para abrir os trabalhos do rolê, o quarteto death metal Black Coffins. Grupo esse que surgiu com objetivo específico: o resgate de uma sonoridade que poderíamos definir simplesmente como “som sueco”, porém com um alcance um tanto quanto maior – a idéia de fazer algo que contenha um espírito puro, que mergulhe em um real grotesco musical não contaminado pelo horror moderno, distante dessa esterilidade adolescente que chamam “brutal” na música dos anos 2010. Aí então abre-se espaço para abrigar, em prol dessa exata proposta, o d-beat escandinavo, o som da Flórida no início dos anos 90, black metal, Impaled Nazarene… Ao vivo, os quatro ainda demonstram que ali também estão para sangrar com cada acorde.

Logo na seqüência, entra em cena o DER. Uma banda que existe para musicar a brutalidade, para fazer canções que concentrem o caos e o absurdo, porém que o façam expandi-lo de forma quase física em seus concertos, nos quais quatro pessoas promovem o descontrole de um mundo inteiro, assistem a tudo desmoronar e ainda estão prontos para mais destruição. Prestes a completar 15 anos de existência, o quarteto atinge o ponto mais coeso de sua trajetória (cada canção é um bloco incrivelmente massivo), e faz da experiência uma bomba de estilhaços, para alcançar ao vivo níveis de intensidade catárticos dos quais ninguém pode passar incólume. Acredito que, na música mundial, não possa existir concorrência para o DER quando o assunto é pura e maciça violência grindcore – se você conhecer alguma outra formação que no mínimo os possa fazer frente, me avise.

A terceira banda foi uma dupla – o Test, que conta com o batera Barata (que há pouco se apresentara com o DER) e o guitarrista/vocalista João, ex-Are You God?. Não demora muito para que nos instalemos nas quebradeiras freestyle dos dois – uma proposta minimalista sim, até mesmo como presença (afinal, são duas pessoas apenas no palco), mas que preenche com sobras um show, como ali visto: a imprevisibilidade é a tônica, o bom humor também, as quebradas de tempo são ao mesmo tempo improváveis para o gênero o qual abraçaram e indispensáveis à proposta do grupo, e o paroxismo atinge o ápice ao perceber que trata-se de uma proposta extrema, porém tranqüilamente deglutível. E isso, meu caro, é só para quem realmente tem as manhas.

Para encerrar os trabalhos da noite, Facada, que não visitava São Paulo desde 2006 – e a visível empolgação do trio cearense em ali estar ajudou a tornar seu set ainda mais esmagador. Uma noite de rendição aos mais malditos estilos do rock pesado, fechada por um de seus melhores nomes, não poderia ter outro resultado: o clima instaurado entre banda e público apagou qualquer distinção que poderia existir entre os dois, todos ali eram seres movidos por ódios e amores trocando energias, distantes de bobocas chantagens retóricas como “lutar em prol da cena” (tópico este também salientado por James em seu discurso), todos em marcha para o apocalipse. Agora que o conjunto não responde mais por apenas um disco (como naquele show que assisti em 2006), e sim por uma carreira, de dois álbuns e um terceiro já a caminho, vemos, também ao vivo, que o pesadelo niilista de vomitar em tudo e em todos representado por “Indigesto” transmutou-se na criação de uma parede sonora de indiferença e impassibilidade com “O Joio” – o que nos deixa bastante curiosos para conferir a sonoridade que o próximo disco apresentará. O encerramento, com “Tattoo Maniac” do RDP, foi totalmente desencontrado, devido à fúria do trio ali encontrar-se com a exaustão de um show esmigalhante, porém altamente simbólico e apropriado ao evento.

Fotos por: Sinistro Studios

FACADA SE APRESENTA EM CAMPINAS


O mortífero grindcore do trio cearense Facada aportará mais uma vez em São Paulo – e o show de Campinas contará com a presença do Monophono. Dividirão o palco com eles três conjuntos do mais alto calibre: o DER, um dos nomes mais violentos do grind mundial; o Black Coffins, death metal old school altamente inspirado pela abordagem sueca do início dos anos 90; e o Test, dupla que já teve entrevista publicada aqui em nosso site. Segue o cartaz do evento (a cobertura dessa avalanche sonora entra no ar durante a semana):

ENTREVISTA COM A BANDA TEST

O Test é o resultado da união de duas potências do underground brasileiro, o Are You God? e DER. Tanto o guitarrista/vocalista João Kombi quanto o baterista Barata contribuíram bastante para com aquela que tornou-se uma das principais cenas grindcore no mundo, a brasileira dos anos 2000; e, agora em parceria, desenvolvem um trabalho possuidor tanto da liberdade e da veia experimental que caracterizava o AYG? quanto a agressividade e a técnica rítmica do DER – mas desde o inicio já trilhando um caminho próprio, que o torna independente de comparações com uma ou outra. E, como eles ao mesmo tempo lançaram o EP “Carne Humana” e se jogaram para fazer uma mini-tour européia, chamamos o vocalista João para trocar uma idéia rapidinha com a gente. Confiram abaixo:

 1-Monophono:   Com o Are You God? infelizmente não rolou uma tour pela Europa… Essa agora com o Test traz uma sensação de “dever cumprido”?

João: Acho que ainda não, não dá para pensar em dever cumprido… Enquanto existir vontade de fazer as coisas, vamos fazer.

2-Monophono: Quanto tempo vocês ficaram na estrada? Foram quantos shows, e em quais países?  Tocaram somente em squats?

João: A tour começou dia sete de setembro em Goiânia. Foram cinco shows na região de Brasília e  onze na Europa; passamos por Alemanha, Holanda, França, República Tcheca e Áustria. No total ficamos uns vinte e poucos dias fora. E não rolou apenas nos squats – teve som na casa de algumas pessoas e outros em pequenas casas de shows; mas a maior parte foi feita em squats sim.

3-Monophono: Essa turnê já havia sido marcada com antecedência ou vocês resolveram encarar na raça a estrada?

João: Foi na raça para os padrões de lá de fora. Começamos a marcar tudo com menos de dois meses de antecedência – inclusive teve show que foi marcado dois dias antes!

4-Monophono:  Vocês são do tipo de banda que “segura a onda” em uma tour como essa? O que o tempo de estrada ajuda a clarear nessas ocasiões, a indicar o que fazer e o que não fazer, tanto no palco quanto fora dele?

João: Não tem como segurar a onda passando por tantos lugares e conhecendo pessoas diferentes todos os dias, pois dá vontade de aproveitar tudo. Não consigo encarar como “tour de uma banda profissional”, afinal o tempo todo você pensa na sua vida real.

5-Monophono: Qual a sensação de agora ser responsável quase tudo de uma banda ao vivo?

João: Acompanhar  um baterista extraordinário que, tocando sozinho, já seria interessante de ver… Bem, não é tão difícil.

6-Monophono: E como é cantar em português para uma platéia gringa? Saber que canta em uma língua para um povo que não a entende enquanto você não entende a deles?

João: No fim das contas, quer saber? Acho que não faz diferença nenhuma.

7-Monophono: O EP “Carne Humana” saiu em vinil, é isso? É prensagem nacional ou estrangeira?

João: Saiu sim, a Travolta Discos foi quem lançou. Aproveitamos a viagem para prensar na Alemanha e trazer os discos na mão.