ENTREVISTA COM ANDRÉ ALVES (NITROMINDS, MUSICA DIABLO)


Veteranos do Hardcore Nacional, o Nitrominds anunciou recentemente o fim de suas atividades. Muitas perguntas ficaram no ar sobre este fim inesperado, sobre o futuro da banda, entre outros questionamentos. Batemos um papo com André Alves (vocalista e guitarrista da banda) sobre o futuro do Nitrominds, a relação entre os integrantes, Música Diablo, projetos futuros e muito mais. Confiram a entrevista logo abaixo:

Monophono: O Nitrominds completou em 2012 18 anos de estrada, logo após o lançamento do excelente álbum “LOOKING FOR A HERO”.  Recentemente os fãs da banda foram surpreendidos pela notícia do encerramento das atividades do Nitrominds. Qual foi o motivo causador deste término inesperado?
André:
 Antes de mais nada eu queria agradecer todas as mensagens de fans no meu (nosso) facebook quando a banda acabou, isso prova muita coisa.  Cara, eu não estava mais feliz com o andamento das coisas, tanto com a banda, tanto com a cena em q estávamos envolvidos, depois de passar por tudo que passei em 18 anos, resolvi sair fora. Não foi fácil tomar essa decisão, confesso que ja vinha adiando há um tempo, talvez desde 2009, depois da nossa tour na Europa do “Verge of collapse”.”Llooking for a Hero” é um puta disco eu posso dizer, pelo menos a banda acabou com um disco decente na praça, demoramos pra lançar ele, porque antes veio o disco de covers “Kill Emo All”, ele foi feito com muito apreço. gostei de ter feito, acho que ele tem umas músicas fudidas e ainda mais a participação do Tony Cadena ( The Adolescents) em duas delas, que foi uma puta honra.

Monophono: Após o fim da banda, como ficou a relação entre os integrantes?
André:
A separação foi meio tranquila até, ainda nos vemos toda semana para tomar uma cerva, mas não tocamos no assunto nitrominds. acho que é melhor assim, cada um pensa de uma maneira sobre o fim das atividades.

Monophono: Existem planos de um possível retorno da banda ou o futuro do Nitrominds ainda é incerto?
André:
Totalmente incerto.

Monophono: Um extenso currículo dentro do Hardcore, vários álbuns lançados, turnês, diversos shows pelo Brasil, amizades e inimizades, momentos difíceis e acima de tudo, satisfações. Em 18 anos de Nitrominds, eu gostaria de saber se você faria tudo de novo ou se tem algo que você se arrepende de ter feito?
André: E
u realmente não sei, talvez eu faria, talvez não, um fato que sempre me incomodou no Nitrominds foi que eu tive q assumir o lugar do Ricardo nos vocais quando ele saiu fora, talvez teria sido mais acertado acabar com a banda naquele momento. De outra forma, se isso tivesse acontecido a gente nunca teria feito tudo o q fizemos, foram 14 tours na gringa, uma penca de shows no brasil, televisão, matérias, etc, etc. O melhor de tudo isso foi conhecer todo mundo que eu conheço hoje, de público e bandas, pessoas que viraram amigos próximos, e isso não tem preço, eu (nós) posso ir pra qualquer lugar fora do Brasil e não pagar um centavo de hospedagem, porque sei que essas pessoas terão o maior prazer em hospedar qualquer um da banda, pela nossa amizade e pelo respeito que criamos em cima do nosso nome.

Monophono: Vocês possuem algum material inédito que ainda poderá ser lançado? Eu inclusive adoraria ver o último álbum lançado em vinil 12″.
André:
Estava negociando isso para a próxima tour na Europa, porém isso estava cada vez mais em segundo plano, a banda acabou, e eu duvido que alguem se interesse por isso. Nós temos muitas imagens, isso sim, e estamos começando a compilar isso para um DVD.

Monophono: Com a saída de Derrick Green no ano passado, seu outro projeto (Musica Diablo) que conta com 2/3 do Nitrominds, ainda terá uma sequência?Há previsão de lançamento de um novo álbum e inclusão de um novo vocalista?
André: 
Nós mandamos o Derrick embora, essa q foi a verdade, as coisas foram se complicando, a certo dia, nós vimos algumas declarações dele na midia e acabamos chamando ele de volta, coisa que ele aceitou de primeira. Porém com o Sepultura tocando por ai, a gente está na geladeira, uma por causa dele, e outra por minha culpa mesmo, eu não tenho mais vontade de tocar guitarra e afins, acho que eu preciso de um longo tempo pra assimilar tudo. Confesso que ando muito cansado de tudo e tocar nesse momento não me ajuda em muita coisa.

O MD foi uma banda que começou de brincadeira e que tomou proporções que nenhum dos integrantes imaginava. Formei o MD em 2008 e em menos de 2 anos, a gente tinha um empresário na gringa, contrato com gravadora, fizemos uma tour pela europa e tocamos nos festivais mais importantes do Brasil, tudo isso sem cair a frequência de shows e divulgação do Nitrominds,  trabalho pra caralho, fora tudo isso ainda trabalho de tour manager pra duas agências entre outras coisas.

Monophono: Enquanto o som do Nitrominds na sua grande maioria tem uma tendência musical voltada pro hardcore, o Musica Diablo é nitidamente voltado para um som mais extremo. Toda essa miscelânia é oriunda de gostos musicais adquirido por seus respectivos músicos ao longo dos anos. O que você tem ouvido últimamente?
André: 
Nós crescemos ouvindo punk e metal, eu amo metal como eu amo o punk rock, quando eu cresci eu ouvia GBH e Metallica, English Dogs e Slayer, pra mim era tudo a mesma merda. Ouço sempre a mesma coisa, não tem nada de novo que chame a minha atenção, Ac/Dc é  banda que eu nunca vou parar de ouvir, como o metallica antigo, como também o Good Riddance, Propagandhi e afins.

Monophono: Grande parte da sua vida foi dedicada de de alguma forma à música. Hoje seu trabalho é acompanhar bandas nacionais e internacionais, dando um suporte às turnês (tour manager, stage manager). Conte-nos um pouco sobre como funciona este trabalho e como tem sido essa experiência de contato com bandas que muitas vezes você ouvia quando era mais novo.
André: 
Pô, isso é muito legal, as vezes muito chato também, as vezes bandas que eu gostava pra caralho, passo a odiar, porque os caras são uns cuzões. Eu sou contratado como Tour Manager de duas agências: Webrockers que traz os mais pops e também muito punk rock e da Tumba Produções, que só traz metal do mal. Eu faço toda pré-produção dessas tours, sou responsável até pelo clip de papel que o cara vai usar , saca? tudo mesmo e viajo com eles para os shows, ou seja eu sou o produtor pau no cu muitas vezes.Fora isso eu também sou o produtor do Ratos de Porão quando tenho finais de semana livres, eles são a única banda nacional que eu faço. Cai nessa de gaiato, eu ja fazia pro nitrominds e pras bandas que eu trazia ao Brasil, em 2008, eu estava muito sem grana e precisando de um bico, um amigo me indicou  e eu trabalhei como Roadie no Orloff Music com o Hives, Melvins etc, na sequência com o The Cult e assim foi indo, de roadie fui pra Stage Manager, de SM fui pra Tour Manager, e assim vai indo…

Monophono: Quais são os planos para este segundo semestre e início de 2013?
André:
Eu estou montando o meu estúdio de ensaio em Santo André|SP, comprando equipamentos, vamos ver se até o ano que vem ele esta pronto.

Monophono: Obrigado André pela entrevista e pelo tempo disponibilizado para as respostas. O espaço agora é seu:
André:
Obrigado pelo espaço, só quero dizer que o Nitrominds não está morto, nossa música ainda vive, sempre que possível eu posto alguma coisa no Facebook da banda e em breve vamos lançar um dvd com as nossas histórias, videos de tournês, etc. Fiquem ligados. Abraços a todos.

Fotos por Vinicius Paes | Monophono

    • Mário
    • 31 de dezembro de 2012

    Não curti nada, mas respeito.

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