O QUE ESTÁ ROLANDO NO MEU IPOD: ADEMILDE FONSECA

Saudações queridos leitores!

Hoje a coluna O QUE ESTÁ ROLANDO NO MEU IPOD celebra a obra de uma grande cantora que nos deixou na última terça-feira, 27 de março de 2012, aos 91 anos de idade e deixando um lindo legado como um dos principais personagens da cultura musical brasileira. Vamos falar da Rainha do Chorinho, a grande ADEMILDE FONSECA.

Ademilde Fonseca Delfino nasceu em 4 de março de 1921 no Rio Grande do Norte e acabaria se consagrando na década de 40 como a maior intérprete de Choro que o Brasil já conheceu. Ao longo deste post vocês notaram que já ouviram diversas músicas do passado em sua magnífica voz.

O Choro, popularmente conhecido como Chorinho, é um gênero de música popular e instrumental genuinamente brasileiro.

A grande característica deste gênero musical é a incrível qualidade técnica dos instrumentistas e a apurada capacidade de improvisação.

Nas chamadas “Rodas de Choro”, desde meados da década de 30, grandes músicos se reuniam para tocar suas músicas preferidas e improvisar. Um fato interessante é que nesta época não havia ensaio e muitas vezes os músicos não se conheciam ou nunca haviam tocado juntos. Iam chegando aos poucos na “Roda de Choro” e improvisando arpejos, solos e acompanhamentos.

Inicialmente, os primeiros Choros eram tocados em pianos. Com o surgimento das “Rodas de Choro” o piano passou a ser usado somente nas gravações fonográficas e foram gradativamente incorporados o violão, o violão de 7 cordas, o bandolim, o cavaquinho, a flauta e o pandeiro.

Com certeza você já ouviu e conhece clássicos do Choro como “Tico-Tico no Fubá”, “Brasileirinho”, “Carinhoso”, “Noites Cariocas”, “Odeon”, dentre tantos outros. O que muita gente não sabe é que muitas dessas canções eram originariamente composições totalmente instrumentais. O Choro ou Chorinho era gênero de música instrumental, sem letras.

E ai que entra na história do Choro a agora saudosa ADEMILDE FONSECA como sendo a primeira intérprete a colocar voz nas grandes composições de Choro.

A primeira gravação com letra de “Tico-Tico no Fubá” é de ADEMILDE FONSECA em 1942, sendo o primeiro registro cantado desde grande clássico da música popular brasileira.

Dona de uma voz magnífica, foi somente depois de ADEMILDE FONSECA que o Choro começou definitivamente a deixar de ser um gênero musical somente instrumental e, ainda, deixou de ser ambiente masculino, já que até então somente homens cantavam nas “Rodas de Choro”.

Em plena década de 40, ADEMILDE FONSECA já demonstrava ser uma pessoa a frente de seu tempo, quebrando barreiras que até então se acreditava intransponíveis.

A cantora ainda trabalhou por 10 anos na extinta TV Tupi, onde seu trabalho teve maior visibilidade a consagrando como a grande “Rainha do Choro”.

De 1942 em diante notamos uma incrível produção artística, claro que com alguns hiatos consideráveis sem nenhuma gravação, mas nunca deixando de se apresentar em show pelo Brasil, exterior e na TV.

Discografia

  • 1942 – Tico-Tico no Fubá/Volte      pro morro – Columbia
  • 1942 – Altiva América/Racionamento – Columbia
  • 1942 – Apanhei-te cavaquinho/Urubu malandro – Columbia
  • 1944 – Brinque a vontade!…/Os narigudos – Continental
  • 1944 – Dinorá/É de amargar – Continental
  • 1945 – O que vier eu traço/Xem-em-ém – Continental
  • 1945 – Rato, rato/História difícil – Continental
  • 1946 – Estava quase adormecendo/Sonoroso – Continental
  • 1948 – Vou me acabar/Sonhando – Continental
  • 1950 – João Paulino/Adeus, vou-me embora – Continental
  • 1950 – Brasileirinho/Teco-teco      – Continental
  • 1950 – Molengo/Derrubando violões – Todamérica
  • 1950 – Vão me condenar/Não acredito – Todamérica
  • 1951 – Delicado/Arrasta-pé – Todamérica
  • 1951 – Galo garnizé/Pedacinhos do céu – Todamérica
  • 1951 – Meu senhor/Minha frigideira – Todamérica
  • 1952 – Só você/Baião em Cuba –      Todamérica
  • 1952 – Gato, gato/Doce melodia – Todamérica
  • 1952 – Sentenciado/Liberdade – Todamérica
  • 1953 – Vaidoso/Turista – Todamérica
  • 1953 – Meu Cariri/Se amar é bom – Todamérica
  • 1953 – Papel queimado/Sapatinhos – Todamérica
  • 1953 – Uma casa brasileira/Se Deus quiser – Todamérica
  • 1954 – Pinicadinho/Tem 20 centavos aí? – Todamérica
  • 1954 – Qué pr’ocê?/Mar sereno – Todamérica
  • 1954 – Dono de ninguém/Neste passo – Todamérica
  • 1954 – A hora é essa/Amei demais – Todamérica
  • 1955 – Rio antigo/Saliente – Todamérica
  • 1955 – Saudades do rio/Dó-ré-mi-fá – Todamérica
  • 1955 – Polichinelo/Na vara do trombone – Odeon
  • 1956 – Xote do Totó/Acariciando – Odeon
  • 1956 – A situação/Procurando você – Odeon
  • 1957 – Teia de aranha/Té amanhã – Odeon
  • 1957 – Falsa impressão/Telhado de vidro – Odeon
  • 1958 – Eu vou na onda – Odeon
  • 1958 – Rainha do mar/Cortina do meu lar – Odeon
  • 1958 – À La Miranda – Odeon LP
  • 1959 – Na Baixa do Sapateiro/Io (Eu) – Odeon
  • 1959 – Voz + Ritmo = Ademilde Fonseca – Philips
  • 1960 – Tá vendo só/Indiferença – Philips
  • 1960 – Choros Famosos – Philips
  • 1961 – De apito na boca/É o que ela quer – Philips
  • 1961 – Boato/Que falem de mim – Philips
  • 1962 – Pé de meia/Quem resolve é a mulher – Philips
  • 1963 – Marcha do pinica/”Tô” de bobeira – Marcobira
  • 1964 – Esquece de mim/Carnaval na lua – Serenata
  • 1975 – Ademilde Fonseca – Top Tape
  • 1976 – Série Ídolos MPB Nº 14 Ademilde Fonseca
  • 1977 – A Rainha Ademilde & seus chorões maravilhosos –      MIS/Copacabana
  • 1997 – A Rainha do Choro
  • 1998 – Ademilde Fonseca – Vol. 2
  • 2000 – As Eternas Cantoras do Rádio – Carmélia Alves, Violeta      Cavalcanti, Ademilde Fonseca e Ellen de Lima – Leblon Recors
  • 2000 – A Música Brasileira deste século por seus autores e      intérpretes – Ademilde Fonseca
  • 2000 – Vê se gostas – Jacob do Bandolim,      Waldir Azevedo      e Ademilde Fonseca
  • 2000 – Chorinhos e Chorões – Vol. 2
  • 2000 – Ademilde Fonseca – 20 Selecionadas
  • 2001 – Café Brasil Conjunto Época de Ouro, Paulinho da Viola,      Ademilde Fonseca e outros – Teldec

Pelo tamanho da discografia da para ter uma noção do brilhantismo da carreira de ADEMILDE FONSECA.

Na última terça-feira, após um mau súbito em sua casa no Rio de Janeiro, ADEMILDE FONSECA  veio a falecer aos 91 anos de idade vítima de problemas cardíacos.

Entrevista da Cantora para Jô Soares em 28/06/2011.

Mesmo com a idade avançada a cantora continuava extremamente ativa, na segunda-feira, dia 26, a cantora gravou dois programas na Globo News e na semana passada fez shows em Porto Alegre.

A vida de ADEMILDE FONSECA era a música e a história da música brasileira passa por ADEMILDE FONSECA.

Apesar da partida em fase ainda ativa, fica o grande legado deixado pela cantora a inspirar músicos e obras por todo o mundo e a certeza de que agora, no Céu, os grandes Pixinguinha e Jacob do Bandolim terão uma grande companhia para cantar em suas Rodas de Choro no Paraíso.

Semana que vem tem mais.

Boas melodias!

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