O QUE ESTA ROLANDO NO MEU IPOD: NOVOS BAIANOS

Hoje a coluna O QUE ESTA ROLANDO NO MEU IPOD vai falar de um grupo musical que o fato de ser um grupo musical é apenas um detalhe. Na verdade vamos falar de um marco na cultura brasileira, de um movimento de transformação sócio-cultural vivido no Brasil na década de 70, vamos falar do NOVOS BAIANOS.

Coincidentemente estamos comemorando 40 anos do antológico álbum “Acabou Chorare” que foi eleito pela conceituada revista Rolling Stone como o melhor disco da história da música brasileira.

O NOVOS BAIANOS nasceu na Bahia e tocaram de forma ativa e ininterrupta entre os anos de 1969 e 1979, sendo considerado o grande marco da musica popular brasileira e do rock brasileiro nos anos 70. Com uma fascinante mistura rítmica que passava pela bossa nova, frevo, baião, choro e rock, o NOVOS BAIANOS lançaram oito discos que são antológicos para a nossa MPB, sempre influenciados pela chamada “contracultura” e pela emergente Tropicalia em plena ditadura militar.

A formação original contava com Moraes Moreira (compositor, vocal e violão), Baby Consuelo (vocal), Pepeu Gomes (Guitarra), Paulinho Boca de Cantor (vocal), Dadi (baixo) e Luiz Galvão (letras).

O NOVOS BAIANOS surgiu em 1969 de a partir de espetáculo chamado “O Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal” em Savaldor, Bahia, onde pela primeira vez todos os seus integrantes de apresentaram juntos.

Moraes Moreira foi apresentado à Luiz Galvão por Tom Zé. Baby Consuelo que é de Niteroi, RJ, passava férias em Salvador e conheceu a dupla em um bar, unindo-se a eles mais tarde         o cantor Paulino Boca de Cantor.

O então quarteto, ainda sem nome, se apresentava acompanhado pela banda “Os Leifs”, que depois mudaria o nome para “A Cor do Som”, e que tinha Dadi como baixista e Pepeu Gomes como guitarrista.

Pouco tempo depois Pepeu Gomes casa-se com Baby Consuelo e é incorporado de vez ao grupo junto com o baixista Dadi.

No mesmo ano de 1969 o grupo se inscreveu no V Festival de Musica Popular Brasileira com a canção “De Vera”, festival este que era apresentado pela Rede Record. Quando chegou a hora de chamar os músicos no palco para se apresentar, ainda sem nome, reza a lenda que o coordenador do festival Marcos Antonio Riso gritou “Chama ai esses novos baianos!”, surgindo daí o nome do grupo.

Em 1970, já com empresário e contrato com a gravadora RGE, o NOVOS BAIANOS lançou seu primeiro LP, o “É Ferro na Boneca” caracterizado por uma grande mistura de gêneros e que, apesar da vendagem um tanto inexpressiva, serviu de tema para alguns filmes do então em ascensão cinema nacional.

Não obtendo êxito no festival da Record o NOVOS BAIANOS decide se mudar para o Rio de Janeiro onde alugaram uma casa de apenas quatro cômodos e lá viviam todos juntos em uma paralela “sociedade alternativa”.

Em 1971 gravaram o compacto (o que era muito comum na época) “Volta que o Mundo Da” e, após contato e grande influência do samba de João Gilberto que sugeriu ao grupo uma mistura de gêneros maior ainda, o NOVOS BAIANOS lançou o épico álbum “Acabou Chorare” pela Som Livre, sendo até hoje o trabalho mais lembrado do grupo.

Com o sucesso do disco saíram da casa de quatro cômodos e alugaram um sitio em Jacarepaguá que apelidaram de “Sitio do vovô” onde, em pleno regime militar, viviam de forma anárquica, fazendo suas próprias regras e onde a principal delas era não haver regras. Foi ainda uma época bastante marcada pelo abuso de drogas licitas e ilícitas, o que seria refletido nos trabalhos posteriormente lançados pelo grupo.

Nesta época o NOVOS BAIANOS gravou o álbum “Novos Baianos F.C.” pela Continental, disco marcado por inovações ritimicas e líricas e que viraria um filme homônimo produzido por Solano Ribeiro.

Após o sucesso do terceiro álbum o grupo muda-se novamente, agora para uma fazenda em São Paulo, onde gravariam seu quarto álbum chamado “Novos Baianos” mas que ficou conhecido por “Alunte”. O quarto álbum vendeu menos que o esperado levando a sérios desentendimentos com a gravadora Continental, sendo um prenuncio da crise que viria mais tarde coma saída do principal letrista do grupo Moraes Moreira que saiu em carreira solo.

Sem seu principal letrista, o NOVOS BAIANOS iniciou uma fase mais instrumental, aproveitando-se do talento de Pepeu Gomes que já foi considerado por muitos, inclusive internacionalmente, o melhor guitarrista do Brasil. Pouca gente sabe mas Pepeu Gomes já foi convidado a integrar bandas como Megadeth e Living Colour como músico de apoio em turnês, no entanto recusou os convites alegando que aceitaria apenas se fosse para atuar como músico da banda e não como músico de apoio.

Em 1974 o NOVOS BAIANOS lançou o disco “Vamos pro Mundo” pela Som Livre e que já reflete essa fase instrumental do grupo.

Em 1976 mudam de gravadora assinando um contrato de dois anos com a Tapecar que resultaria no lançamento de dois discos, o “Caia na Estrada e Perigas Ver” e o “Praga de Baiano”. Já enfraquecidos por desentendimentos, abusos de drogas e por um início de carreiras solo de Pepeu, Paulinho e Baby. São álbuns com bastante música instrumental e uma época marcada pela invenção do chamado trio elétrico, sendo que podemos dizer que Baby Consuelo foi a primeira cantora de trio elétrico do Brasil.

O último trabalho do NOVOS BAIANOS foi o disco “Farol da Barra” lançado em 1978 pela CBS que homenageia os compositores Ary Barroso e Dorival Caymmi com destaque para a faixa título que é uma composição de Galvão com Caetano Veloso.

DISCOGRAFIA

  • 1970 – É Ferro na Boneca (RGE)
  • 1972 – Acabou Chorare (Som Livre)
  • 1973 – Novos Baianos F.C. (Continental)
  • 1974 – Novos Baianos (Continental)
  • 1974 – Vamos pro Mundo (Som Livre)
  • 1976 – Caia na Estrada e Perigas Ver (Tapecar)
  • 1977 – Praga de Baiano (Tapecar)
  • 1978 – Farol da Barra (CBS)
  • 1997 – Infinito Circular (Globo/Polydor)

 

No ano seguinte, em 1979, o NOVOS BAIANOS encerraria suas atividades.

Houveram algumas reuniões posteriores de alguns membros do grupos para shows comemorativos e em  1997 reuniram sua formação original para a gravação do álbum duplo “Infinito Circular” que é item obrigatório na discoteca de quem quer guardar um registro de nossa Música Popular.

Confira o documentário de Solano Ribeiro na integra.

A última reunião do NOVOS BAIANOS foi em 2009, sem Moraes Moreira, durante o carnaval de Salvador em um trio elétrico e com um show em São Paulo na Virada Cultural que contou mais de 1 milhão de telespectadores.

Fica o registro deste importante capítulo da história da Musica Brasileira.

Até semana que vem!

Boas melodias!

  1. Depois de sucessivos incêndios que a Tv Record sofreu em 1969, foram 4, a torre da av. Paulista, no Grande Avenida, o teatro Consolação, teatro Paramont, os estúdios do aeroporto na av Miruna 713…
    A Record para fazer os seus programas de auditório alugou um cinema na rua Augusta e transformou no teatro Record Augusta , o Festival 69 aconteceu lá . No meio destes icêndios a Record entrou em crise e na crise com a pressão regime militare, Solano Ribeiro foi afastado da Record, e de sua equpe em 1969, permaneceram Flávio Porto, Monteiro e Marcos Antonio Riso que havia chegado na Record no Festival de 1968 trazido por Solano Ribeiro e Paulo Machado de Carvalho depois de coordenar o Festival universitário no Rio Grande do Sul.
    Em 69 o Marcos Riso coordenou o Festival do “Sinal Fechado, que foi feito dentro de uma camisa de força, censurado por todos os lados e no meio da crise que a Tv Record passava, era o regime militar e o exército era parte integrante da produção da Tv Record.
    Naquele ano Paulinho da Viola foi o vencedor com Sinal Fechado, que realmente estava fechado mas a música era e é muito bonita.
    Durante o festival aconteceu o momento em que Marcos Riso gritou chama os NOVOS BAIANOS minutos antes do Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira e Galvão entrarem no palco do teatro Record Augusta. Em uma entrevista no programa do Jo Soares Moraes Moreira contou este fato.
    Marcos Antonio Riso, é meu pai críou a Árvore Propaganda, em Teresina Piauí em 1979.
    Faleceu em Abril de 2.000.

    • Valiosas informações Jorge!
      Momentos duros de ditadura militar mas que não sufocaram os bravos que lutavam pela liberdade de expressão através da cultura dentre eles o seu saudoso pai Marcos Antonio Riso.
      Forte Abraço

    • Leia o livro do criador dos Festivais de música Solano Ribeiro, “PREPARE SEU CORAÇÃO” .

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